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06 fevereiro 2009

Todo Mundo Quer Ser Como Obama

"Tudo o que se fala sobre Obama, levanta em mim certos questionamentos, dos quais destaco o seguinte: já que todos nós vemos em Obama o modelo mais perfeito de integridade, de criatividade, de postura política, de fé, de família, de humildade, de inteligência e eloquência, de estratégia e integridade, de inclusão e diversidade, quanto é que nós estamos preparados para mudar aquilo que descobrimos em nós não ser o mais recomendado, a fim de que sejamos no mínimo como ele?"

Leia todo artigo em: Defesa de Direitos Humanos

24 dezembro 2007

Uma Carta de Boas Festas ao Povo


Querido povo, chegados a esta altura do ano, resta somente deseja-te festas felizes. Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Estas são palavras que achei em um postal português de felicitações e como nada tenho de material para oferecer, deixo-as para ti.
São todas tuas, mesmo sabendo que passarás um natal sem pão e que entrarás para um novo ano sem esperança nem certeza.
Sinto muito porque vivemos em um país onde a verdade é um bem de luxo e anda escondida entre algumas e bem poucas pessoas. Muita pena porque quem tentar falar a verdade, neste país será conotado como membro do partido da oposição, como se a oposição fosse inconstitucional.
Desejo-te festas felizes, mesmo sabendo que terás um Natal sem salário e um Ano Novo sem justiça porque os salários e o acesso a justiça não são bens para o povo. O povo deve continuar a ter um salário mínimo que não satisfaz nem um quarto das suas necessidades, assim ele não saberá definir suas prioridades. Continuará a viver numa condição sub-humana.
O povo continuará a chorar por justiça. E ao falar de justiça, espero que entendas que ela ainda vai demorar a chegar neste país. Afinal de contas, quando certo gabinete contra a corrupção tentou provocar os tribunais foi imediatamente chicoteado porque os entendidos procuravam salvar sua própria pele? E o povo? Onde fica nisso tudo? Só observa, ele não tem direito a opinião.
Mais tarde, o tal gabinete veio mesmo a ser desmantelado. Depois vieram a luz denuncias e, muitos escritores a acusar, a defender, a opinar, a insultar, em fim, cada um a falar do que sabe, do que ouviu, do que acredita e do que acha que deve dizer.
Feliz Natal meu povo. Feliz Ano Novo também. O pior de tudo é que para o ano ainda terás um monte de cientistas que ao olharem para ti morrendo de fome vão pedir provas. Para o ano continuarás a ter cientistas que quererão que se produzam premissas que demostrem que teus filhos estão nas estatísticas da mortalidade infantil e que nunca acreditarão que a tua aldeia não tem água potável.
Então, já conseguiste comprar um rádio? Como é que pensas que vais ouvir as notícias. Bom, não estás atrasado, pelo menos não para ouvir sobre o estado da nação. No próximo ano ouvirás o que neste não ouviste, que o estado da nação é bom e que a Cahora Bassa já é nossa. Só não sei se conseguirás perceber porque é que ainda moras em trevas e continuas a pagar muito caro para manteres a luz.
Ouvirás que o estado da nação é bom, mesmo que os teus filhos estejam na décima classe e não saibam ler nem escrever, mesmo que as tuas crianças prefiram a rua que a casa, e mesmo que a prostituição seja agora uma das melhores alternativas para que as tuas filhas possam sustentar a família. E mesmo assim, continuarás a ter cientistas que continuarão a rotular-nos de retardados, ignorantes e alto-falantes de presidentes de partidos políticos na oposição.
Desejo-te Festas Felizes meu povo. Procure consolar-te no que podes. Consola-te em qualquer coisa, qualquer ideia ou qualquer crença, porque este teu país continuará nas mãos de certa elite, um clube de amigos e de familiares. Tu que és Zé ninguém e com o pé rapado continuarás a pagar os impostos e cada vez mais excluído da riqueza, porque tudo tem um dono. O pior de tudo é que haverá cientistas que te desafiarão a provar que tudo que digo tem uma dose de verdade. Não te preocupes, Jesus já tinha respondido a esse paradoxo: o que foi escondido aos sábios foi revelado as crianças e aos que ainda mamam. O povo consegue ver onde os cientistas não conseguem. Afinal de contas aquele que fala sabe o que sente.
Nesta altura te pedirei somente que não te preocupes com assuntos difíceis, não percas tempo a querer compreender porque é que o Presidente da República manda plantar jatropha onde devias plantar milho, mapira, mandioca ou bata doce. Não percas tempo a querer perceber o que é revolução verde, alguns músicos desta canção ainda nem percebem a sua letra. Não invistas tempo também a procurar saber porque o ministério da agricultura em três ano teve três ministros e o que agora é já foi povo.
Não procures perceber o que são eleições provinciais, parece que ninguém mesmo sabe o que são. Há vezes em que penso que se calhar uma pessoa invisível está a dirigir este país, na verdade são tantas as perguntas sem respostas, são tantos os absurdos que não se percebe de onde eles vêem.
Peço-te que não perguntes porque compraram transportes públicos demasiadamente luxuosos para a nossa realidade? Não te perguntes porquê há sempre enchentes a noite nas paragens de chapas. Não procures saber porque é que a política de transportes públicos deve ser confiada na sua maioria aos chapeiros. Suportas os chapas na estrada?
Te pedirei também que não invistas tempo a querer perceber porque é que em vez de informação só te dão novelas e músicas que exaltam sexo, ócio, riqueza, beleza e nunca o trabalho, a fraternidade, a união e a humildade. Não procures perceber isso, só te roubará tempo.
Evite também ser enganado pelos oportunistas, todos pensam que o povo é burro, é inconsequente e não tem direcção. Mostra que és um povo consciente e que a tua maneira sabes fazer valer os teus ideais. Não te esqueças que mesmo sendo o último na fila, tu é que dás poder a quem está em cima, por isso procure saber usar muito bem o teu direito a voto.
Não te deixes levar pelo discurso segundo o qual a criminalidade reduziu ou está controlada. Afinal de contas, quase ninguém pára para pensar na pessoa do criminoso. Tu que és povo conheces muito bem quem é o criminoso. Ele é teu filho, teu sobrinho, teu irmão teu amigo, produto da exclusão social, alguém que é criado na rua, lava os carros, ganha uns trocos, cresce e quer tomar seu protagonismo.
Quero que tenhas festas felizes e saibas que fazer justiça com tuas próprias mãos não vai resolver o problema. É verdade que o Estado já falhou na sua política de segurança pública, embora haja alguém que ainda queira que apresentemos provas, mas só a ele como Estado, cabe fazer a justiça. Mesmo que o procurador não pronuncie aqueles que tu apresentas como criminosos, não adianta matá-los, insista com os órgãos do Estado porque água mole, em pedra dura tanto bate que chega a furar.
Feliz Natal e próspero Ano Novo meu povo. Confio em ti e estou certo de que conseguirás sobreviver este momento difícil da vida sem pão e sem esperança. Tu já sobreviveste ao muito, ao mais difícil e ao mais pesado, por isso mesmo que acredito que sobreviverás.
Ora bem, para não encher-te de palavras e palavras, vou ter que fechar esta carta. Tu precisas de tempo para reflectir sobre a tua vida, assim como eu preciso de tempo para pensar como fazer te chegar esta carta, já que não usas internet nem tens uma caixa postal.
E mesmo assim: FELIZ NATAL E PROSPERO ANO NOVO!

06 dezembro 2007

Um mundo, Uma Vida

A maioria das pessoas que me conhece sabe do meu desejo de intervir activamente pelos Direitos Humanos.

Mas enquanto a oportunidade mais realista não é encontrada, o mínimo que se pode fazer é utilizar as novas tecnologias como portas que nos abram essas oportunidades.

Por isso, faço o convite! Avanço o desafio!

Cada um de nós, seres humanos conscientes, tem notado que, por todo o globo, existe um sempre crescente de atrocidades contra a espécie humana. Mas, quantos de nós paramos para pensar sobre elas e mostrar a nossa indignação e asco?

É essa a razão desta causa: criar uma rede activa que leve o seu desagrado aos seus leitores.

No dia 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, eu gostaria de nos ter a todos trabalhando em conjunto, como um mundo, uma vida, de modo a que todos os nossos leitores possam ter em mente de que somos, de facto, um mundo e uma vida.

Para os que possuem blog e desejem participar, é simples: Não há limites para as vossas imaginações (até porque a unidade deveria vir da diversidade)!.

  • Podem escolher uma situação particular ou geral;
  • Escrever sobre a economia e os direitos humanos, a perspectiva religiosa e os direitos humanos, a psicologia dos direitos humanos, filmes sobre direitos humanos, poemas, vídeos de música, pinturas;
  • A vossa imaginação é o limite!

Os que não tem blogs, mas desejam participar, não se esqueçam que toda a tecnologia é um meio e não um fim, em si mesmo.

O objectivo é fazer com que todos os que se conectem connosco entendam que, enquanto um único humano for privado de seus direitos, iremos todos continuar a trabalhar juntos, porque estamos interligados como um mundo, uma vida .

O nosso principal objectivo é lembrar que somos um mundo, uma vida.

Se quer participar desta iniciativa:

Os selos da campanha, desenvolvidos pelo amigo Lino Resende, seguirão em breve.

Obrigado a todos!

Esta é a minha participação no desafio do Fênix ad eternum que referi no post anterior.

Contra a guerra, mas pela Liberdade

Fui convidado, pelo SAM a fazer jus a causa dos Direitos Humanos, aderindo ao seu Blog. Muito obrigado, com muito orgulho farei parte desta causa!!!


Não sou pela guerra, mas também não sou por uma paz armada. Acredito na necessidade de lutarmos pelos nossos direitos e pela nossa liberdade.

As lutas não-armadas da história da sociedade mostraram seus frutos, e as lutas armadas mostraram as suas incontornáveis tragédias. E, talvez por isso, emociono-me ao ler o livro A Casa das Sete Mulheres de Leticia Wierzchowski. Trata-se da história de guerreiros valentes, cujo sonho era a paz; a história de heróis que buscavam a liberdade económica para si e a liberdade humana para os demais.

Por isso, é que a cena que se segue, dói-me sempre que a vejo. Não sei o que é ficção ou a realidade, nesta história, mas que este evento aconteceu, há 163 anos e 22 dias, é verdade! A tragédia humana sempre existiu e a luta pelos Direitos Humanos não é de hoje!