15 agosto 2008

A ARTE DO ORGASMO FINGIDO & OUTRAS MENTIRAS SINCERAS


Não há mais dúvidas: quanto mais beira o verossímil, com gritos lancinantes na noite, como assimilamos do cinema, mais fingido é o tal do orgasmo. Nunca é condizente com a nossa performance e suor. Os melhores e mais recompensadores orgasmos guardam o bom preceito da educação dos gemidos. Um clássico!

Por mais megalomaníaco que seja a vossa gaja, recomendo que não acredite naquelas algazarras, feiras amorosas, sacolões do sexo, capazes de fazer os vizinhos pularem da cama só de inveja. Aquela gritaria toda, meu amigo, só vale para provocar um problema dos mais graves. Deixará o casal que mora do outro lado da parede em pé de guerra, uma vez que a mulher, atenta à lição de gozo comparado, vai exigir mais, muito mais, mais e mais, e mais um pouquinho ainda, do seu colega de prédio ou de rua. E o pior é que os gritos só costumam ocorrer quando o gozo não passa de truque, melodrama de gajas...

O orgasmo desesperado costuma ter origens variadas. O orgasmo desesperado, dizia um entendido, na matéria, que sopra a nuca, costuma ser resultado de algum curso mal digerido de teatro amador, de formação em escola com vies jesuíta, interpretação errada dos manuais do Actors Stúdio, dietas à base de alcachofra, audiências tardias das onomatopeia do Led Zeppelin ou falta de homem propriamente dita.

As melhores gazelas educam cedo os gemidos. Em vez de gritos que parecem mais apropriados para momentos de sequestro-relâmpago, a boa moça sussurra e balbucia safadezas na nuca do amado.

As melhores não se desesperam. Já imaginaram Ava Gardner em desespero? Nem com Frank Sinatra, a quem enlouqueceu todos os sentidos. E não me venham dizer que isso seja frigidez, frescura ou algo da linha. Fina!

Até a Amy Winehouse, a bela garota suburbana de Southgate, sabe disso. Mesmo depois do seu cocktail preferido: ecstasy, vodka, cocaína e viagra para cavalo - é capaz de ter um orgasmo educadíssimo. Deve apenas morder um pouco, óbvio, pois sem dentadas, como se diz, não há amor. Sim, as que só mordem e tudo calam, nada falam... são as melhores!

Portanto, uma coisa é a gritaria, quase um SOS de incêndio ou sinistro urbano do género. Outra é o gemido gostoso, suor, palmadas na bunda, calor e fogo nas entranhas, quase um decassílabo a cada descida, lirismo sem fôlego, a gostosa e inadiável asma do amor.

Escrito por xico sá

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