21 julho 2008

Ratas...

Uma nova rata desorganiza um gajo... Não se acredita no que se está a viver para se acreditar mais. A reação inicial é a da incredulidade: ela não gosta de mim, é só amizade, não estamos juntos. Mas dentro ressoa o contrário: ela gosta de mim, é mais do que amizade, já estamos juntos. Os pensamentos brincam de esconde-esconde. Esconder o que se sente para os próximos, mas mostrar para si o que se conquistou. Jogo de convencimento, devagar e sensível. Logo bate a covardia: seremos enganados, não dará certo. Em seguida, a coragem revida: ela é sincera, dará certo.

Somos nossos piores amigos, nossos melhores conselheiros. É uma insegurança tensa. Será que ela está pensar em mim? Será que ela me deseja a ponto de não fazer outra coisa? Não se admite experimentar sozinho o estado de paixão. Há uma gana pela cumplicidade. Não se entra na briga sem a recompensa de se descobrir acompanhado... da foda...

A comparação torna-se inevitável. Fica-se a sondar a intimidade e estudar os sinais e caligrafia. Em algum momento, deve ter deixado claro que amou foder comigo e confirmou tal facto... Revisam-se os posts, as mensagens, os recados. Mas não há ajuda, não há clareza... tudo é falado com ambiguidade. Não se arriscam certezas. As certezas são duras e frias. As certezas agridem. O que escreveste significa ternura. Não significa que acabou...

Fica-se a relembrar a ordem das palavras ditas, inclusive a ordem das palavras não-ditas. Evoca-se a sequência das risada e a confusão dos gemidos. São refeitas as contas, muda-se o método de enumerar e não se chega a nenhuma conclusão. Resta o mesmo resultado, a mesma indefinição infantil. Ela gosta ou não gosta? A impressão é que emburrecemos progressivamente, nada presta ou nos prende. Pioramos o raciocínio desde que tentamos definir se valeu mesmo a pena... Já sofro antes mesmo de esquecer aquela ratinha doce...

3 comentários:

Fernando Rodrigues disse...

Que paisagem deslumbrante, perfeito

Abraço

A]\/[®r@_D®c& disse...

cumplicidade, prazer , amor, foda...
certas pessoas nao sabem diferenciar um do outro...

as vezes um depende do outro pra existir
as vezes um deles pode existir sem os outros estarem presentes, neste caso torna-se algo passageiro

como num jogo d futebol, sem os outros a apoiar, um nao se vira sozinho...

Bichinho disse...

Beijo fantasma...