13 julho 2007

Diferença entre quecar e foder.

Há uma nítida diferença entre quecar e foder. E há ainda outras modalidades. Em ordem crescente de intensidade ficaria mais ou menos assim:

1 - Quecar. O básico, arroz-com-feijão. Envolve mais sentimento do que tesão, é o sexo-praxe, um carimbo de repartição pública que atesta que o casal tem uma vida sexual medíocre (no sentido de normal). Quando "quecar" envolve afecto o ato é denominado "fazer amor". Geralmente quando a relação chega nesse estado as mulheres começam a perder o interesse e os homens passam a olhar pros lados. Uma apimentada na relação é possível, nada está perdido. A rotina é foda. Ou melhor, acaba com ela. Quecar é o sexo dos profissionais liberais de meia-idade. É o que o seu tio faz com a sua tia há mais de 30 anos.

2 - Meter. É o acto dos apaixonados, sejam eles casos ou em começo de namoro. É a fase do descobrimento, os corpos entrando em sintonia. Meter é mais intenso que quecar. E também mais frequente. Mete quem dá duas, três, quatro, cinco. É a curiosidade rolando entre os parceiros, um mix de desejo carnal com compatibilidade de ideias. É o sexo dos universitários, das mulheres emancipadas de mais de 30, do casal que vai passar o fim-de-semana na praia, do pessoal das micaretas e das actrizes de filmes pornos. É o que o chefe faz com a secretária.

3- Foder. Foder é outra coisa. Foder é explosão. É so meter a quinta e só acelerar. Geralmente o homem acha que controla a foda, mas se engana. Quem conduz uma bela foda é a mulher. Se o homem vai com tudo, mas a mulher "trava", há no máximo uma meia-foda, um sexo-sparring. Para que a foda se consume é necessário que a mulher acene para o homem nesse sentido. É preciso que a mulher coloque as cartas na mesa e diga pro que veio. Foder é transcender. A mente desliga, o corpo controla tudo. Hormónios à flor da pele, sentidos aguçados. Foder é soltar o carro na banguela, foder é imoral, proibido, delicioso (é fornicar). E o mais interessante é que o princípio básico da foda perfeita é a química. Não adianta se armar até aos dentes pra conseguir uma boa foda. Nada de kamasutra, nada de brinquedinhos de sex shop, nada de lingeries ousadas. É apenas um lance de pele que se concretiza quando duas pessoas fisicamente atraídas resolvem meter sem tabus. É a sorte grande. É como receber um upgrade na fila de embarque do avião. "Pôxa, eu vim aqui pra quecar e tomei um chá de trepadeira". Foder é raro, é um trevo de quatro-folhas. É o que você chama de "aquela melhor queca da minha vida, com aquela menina que conheci sem querer na disco, a tomar um martini, e acabou acontecendo ali mesmo, total imprevisto". Foder é um divisor de águas, é sorriso que dura uma semana, foder é motivo de ligações telefônicas no meio da madrugada pra avisar a amiga que finalmente teve um orgasmo. Foder é um gol na final da liga dos campeões aos 45 do segundo tempo, foder é a mega-sena, foder é suor e sons guturais. E é tão único que não é padronizável. Foder é libertar-se dos demónios, foder é luz.

Ainda há outras categorias na arte do sexo, mas com outros critérios. Bom mesmo é aproveitar todas as 3 formas descritas acima. Não vale a pena ficar procurando o tempo todo pela foda-heroína, pela foda-cálice-sagrado, isso é coisa de junkie sexual. Uma bela metida aqui, um amor gostoso acolá, eventualmente uma foda imprevista, isso basta. O importante é entrar em campo confiante na vitória, como diria o grande Ronaldo Camisa 9.


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