29 março 2006

CORREIO SENTIMENTAL

«No mundo adiam-se casamentos e apressam-se os divórcios. Egoísmo em alta, amor em baixa?»

Gemem os protagonistas de amores falhados. Casamentos desfeitos. Desconstrução. Habituados que estamos a contratos a prazo, a coabitação vem primeiro, o compromisso depois. A partilha do quotidiano que muitos dizem diferir do casamento somente no «nada» que é um papel passado, indo a contento do casal espreguiça-se sem termo à vista. Frequentemente, o nascimento de um filho muda o estado civil. Daqui infiro não estar confinada a carimbo num papel a diferença entre casamento e união de facto.

A relação acaba quando o amor e felicidade pessoal deixam de existir. Final adiado ao limite havendo filhos e não sendo frívolo o estar. Caso existam sentimentos positivos entre os parceiros - afecto, amizade, cumplicidade, fruição do património sentimental -, muitos reinvestem e transformam a aparente derrocada num reforço da ligação. O espírito gregário dos humanos não favorece, sendo o divórcio opção, durabilidade de vida desacompanhada – feito o luto, quem se divorcia acaba por juntar-se a alguém. Repetem-se erros, alguns são corrigidos, no mínimo prestada atenção àquilo que no próprio está mal. E é bom que balanços e balancetes pessoais estejam em dia, sem nada escamotear. Malgré tout, é aconselhável ter presente a máxima da Bé – “mudar de marido ou mulher é como mudar de empregada: quase sempre é para pior.”

Original AQUI

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