29 agosto 2008

Moçambicanidade

Andei uncadinho distante da blogosfera moçambicana... Dei mais atenção ao meu lado perverso e malandro e actualizei-me do que mais tilinta no meu cérebro: Gajas... Para o meu espanto hoje surpreendi-me com um artigo muito bem escrito pelo meu amigo Duma e publicado no MEU MUNDO que também passo a postar abaixo... Sem falar que actualizei os links dos Blogs moçambicanos que merecem destaque, aqui nos malandros.

Acho que as pessoas devem começar a ter coragem de não aceitar o que não está certo. Devem ter coragem de condenar o que está errado e não aceitar o discurso gratuito de que tudo está bom e cada vez melhor.

Em primeiro lugar: não podemos afirmar que vivemos em um Estado de Direito quando a intromissão do executivo no judiciário é evidente e de certa forma descarada. O verdadeiro exemplo é a crescente onda de "perseguição" de jornalistas por parte dos tribunais em beneficio de altos funcionários públicos.

Em segundo lugar: não podemos aceitar que este país continue demasiadamente dependente de apoios de cooperação externa enquanto pode por si suportas suas despesas. O grande exemplo é a afirmação do Ministro da Administração Estatal, segundo a qual, para colmatar o défice criado pelos doadores que reduzem a ajuda, serão usados fundos provenientes das receitas internas. Afinal o país tem receitas?

Em terceiro lugar: não devemos aceitar que o Ministério Público persiga casos que não são urgentes mesmo sabendo que muitos outros, mais urgentes ainda, clamam pela sua intervenção. Ora vejamos, só neste ano, o Ministério Público na cidade de Maputo, ouviu Azagaia, ouviu vários jornalistas e não ouviu vários suspeitos de terem usado para fins próprios fundos públicos. Governo impondo no MP é humilhar os procuradores.

Em quarto lugar: não devemos aceitar que se apregoe o desenvolvimento de Moçambique ao mesmo tempo que milhares de moçambicanos não conseguem, por causa da distancia, chegar a atempo, a um hospital, a uma maternidade, a uma fonte de agua potável ou mesmo a ter uma escola ou uma estrada. Este país não se limita só nas cidades, o campo também é Moçambique e para a nossa vergonha, mais de 60% da população moçambicana vive no campo.

Em quinto lugar: não devemos aceitar que a confusão entre o Estado e o Partido se agudize. Usar bens públicos para fins partidários não é ético. Deixar que autoridades partidárias se metam na gestão da coisa pública mesmo sabendo que não são funcionários, constitui um grave atentado ao principio da boa administração do Estado.

Em sexto lugar: não devemos aceitar que pessoas sejam bem empregadas, ou de outra forma beneficiadas, somente porque são filhos, primos, familiares ou até conhecidos e compadres de figuras ligadas ao poder. Não devemos aceitar que gente qualificada e devidamente credenciada fique prejudicada devido o favoritismo, nepotismo e incompetência na gestão da coisa pública.

Em sétimo lugar: não devemos aceitar que sempre digam, quando o povo se insurge ou revolta contra o peso do custo da vida, que houve uma mão externa ou que foi a incitação de criminosos. Não devemos aceitar que chamem o povo de burro ou de criminoso, afinal de contas, as assimetrias, a injustiça social, a exclusão social e a miséria em que o povo vive, constitui a primeira motivação para revolta.

Em oitavo lugar: não devemos aceitar que um Governo queira dialogar com o cidadão somente quando chega a época eleitoral. O dialogo comunitário, o dialogo com as autoridades deve ser incentivado como uma forma de fortalecimento da democracia e não como um instrumento para colher dividendos políticos.

Em nono lugar: não devemos aceitar que o nosso Governo opte pelo Silencio e cumplicidade quando outros governos da região austral violam direitos humanos dos cidadãos e governam a nação com uma vara de intimidação, de dor, de violência e restrição de liberdades.

Não devemos aceitar que nos roubem a coragem de negar. Não aceitemos a cobardia

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