11 julho 2007

O que as mulheres realmente querem? Parte III


Se pudéssemos resumir, haveríamos de lembrar um episódio de “Os normais”. Dois quarentões querendo voltar ao mercado sexual, livres. Eis o diálogo:

- “Como são as mulheres, actualmente?”.
- “Agora, elas já dão no primeiro encontro, ou quase isso”.
- “Cara, que fantástico, elas dão no primeiro encontro!”.
- “Sim, mas agora elas querem gozar”.
- “Putz, cara, verdade? Como vamos fazer?”

A piada é boa. Ela é espelho de nossa vida actual. Por isso o Viagra é o remédio mais vendido entre nós, estatisticamente falando. Manter a erecção é algo que não pode mais ser uma preocupação ou motivo para várias horas na terapia, como alguns homens, mesmo em condições normais, achavam. O Viagra resolve não tudo, mas muito. E resolve, também, uma série de outros problemas. Por exemplo, um homem que há tempos está em um casamento, que faz sexo muito pouco ou de maneira regular, e então começa um namoro com uma gaja jovem, ele deve sem dúvida usar Viagra. No começo, ao menos. Depois, ele acostuma com o ritmo e volta ao tempo que tinha 20 anos. O sexo é algo como que um treinamento. Há o atleta enferrujado, mas que tendo aprendido fazer, volta a jogar bem após um incentivo. O Viagra não é a regra para uma vida; para a maioria é um incentivo para cumprir uma etapa inicial de readaptação. Mas cabe agora, ao homem, no novo relacionamento, principalmente com a mulher mais jovem, não repetir todos os erros que cometeu – ou que não pode deixar de cometer – com a mulher com quem estava. Não vale, por exemplo, recarregar a mulher jovem de filhos e transbordá-la de problemas de trabalho (aliás, lembre-se, filho e sexo não combinam – tire do horizonte ter mais que um filho, e de preferência tenha filhos somente no primeiro casamento). Mas, é claro, se o homem está casando novamente, quer uma esposa de verdade, uma companheira, então... muito do dito casamento tradicional ainda vale. E vale mesmo!

E a mulher? Poderemos começar este parágrafo, neste texto, daqui uns anos, falando do "viagra feminino". Mas isso é para o futuro. Por enquanto, estamos em uma situação assimétrica. Vamos então tratar de assimetrias.

Ao contrário do que dizem, várias meninas são, digamos assim, “prendadas”. Se não são, por causa de terem tidos pais criados na década de sessenta e setenta, que viam as “prendas” como sinónimo de “cadeados”, ainda assim gostariam de ser. Muitas querem cuidar de seus homens mais velhos como em um casamento tradicional que, volto a dizer, não era tão ruim quanto se pensava. Elas sabem que isso pode funcionar, e que na cama, se assim for, eles estarão mais presentes. Pois o que importa para quem goza, é gozar. É gozar mais e melhor.

Estamos, então, em uma sociedade hedonista? Não! Estamos apenas em uma sociedade onde alguns mecanismos simples, de nossa vida animal, não podem mais ser desprezados. E é isso que deveríamos observar ao pensar no "o que as mulheres realmente querem?". - Paulo Ghiraldelli Jr

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