11 julho 2007

O que as mulheres realmente querem? Parte I

Vou arriscar falar sobre “o que as mulheres realmente querem”.

Mas, então, o que as mulheres realmente querem?

Bem, “o que as mulheres querem?” é uma pergunta, que nós homens fazemos. Nós, em geral posto na condição de benfeitor e/ou algoz das mulheres no ideário da cultura ocidental, não raro se coloca tal questão. As mulheres, muitas vezes, não colaboram muito para responder tal questão, mas sim para formulá-la e reformulá-la. Levando em consideração a direcção de tal pergunta, que é a da linha de questões da sexualidade ou de situações que tangenciam questões que tem a ver com amor e sexo, a resposta não é tão difícil de ser obtida.

As mulheres se dividem em dois grandes grupos: as que gozam e as que não gozam. Estas últimas se dividem em três grandes grupos: as que não gozam por causas pequenas e perecíveis, as que são anorgásmicas (tem algum prazer, mas não gozam) e as que não gozam mesmo, e podem chegar a situações de completa frigidez. Dependendo do grupo em que caem, as mulheres querem uma coisa e não outra.

A mulher que goza pode ter sorte ou azar. Actualmente, até, pode escapar do azar. Se pega um homem que não a satisfaz, diferente do passado, agora ela pode trocá-lo. Caso o estrago psicológico não tenha sido grande, por anos de uma relação ruim, sexual ou não, um dia ou outro ela encontra o parceiro bom de cama, meio passo para ser bom em geral. Com bom sexo, muita coisa na vida dela se resolve quase que por milagre: o sorriso aparece ou reaparece, e então o mundo fica bem mais fácil. Empregos são mais estáveis. Finanças mais bem administradas. A maturidade com crianças melhora assustadoramente. Se ela é dedicada a assuntos intelectuais, a concentração aumenta e o poderio cognitivo é aguçado. O gozo, como no homem, é um “santo remédio”. Na mulher, mais que um remédio, é uma transformação. Um encontro com a divindade. Se o gozo é potencializado por uma relação amorosa, com alguém especial, então o mundo se torna azul. Nada disso é alheio às estatísticas, que confirmam tudo.

A mulher que goza e sabe que goza em condições que ela pode por e dispor, portanto, não deve tomar isso como um fato banal. Deve potencializar isso e tirar proveitos primários e secundários. Primários, no próprio gozo, secundário, na vida em geral - no emprego, no trabalho, nas relações diversas. Deve ler sobre e estudar. Freud até é uma boa leitura, inclusive para mostrar os casos das que não gozam, e como ele tentou explicar isso. Deve ver técnicas de posições, exercícios físicos e, enfim, deve perceber o quanto gosta ou não de se tornar um objecto sexual. Se gosta, se vê que, após algumas tentativas, se sente bem, deve ir em frente. Se não se sente bem, deve ponderar se não é o homem com quem está que é o produtor da timidez (não é uma timidez?). O sexo exige uma atitude de deificação, de coisificação, de ambas as partes. Ao contrário do que Marx queria, sem reificação não há felicidade, ao menos em um sentido específico. Em várias pessoas, certos tapas, palavrões e fantasias são o que são – têm de ser assumidas como práticas do amor sexual, e do amor em geral (e não digo aqui, é claro, tapa no sentido da violência e submissão). Se o homem não topa isso, a mulher que se submete à castração está se castrando mais do que imagina. Pois isso não é uma castração apenas sexual. É geral. Vai afectar tudo. Tudo mesmo. Do trabalho à criação de filhos.

Mas e a mulher que não goza?

Terapia? Terapia para mentir para o psicanalista, uma vez que é muito duro assumir que não se goza? Não – isso não adianta. Aliás, em caso de frigidez, a terapia sozinha pode fazer pouco.

Quando a mulher teve alguns parceiros e eles foram homens bons, correctos e inteligentes na cama e fora dela, são pessoas que ela admira na sociedade e, mesmo assim, não a fizeram gozar, então o caso não é simples. E sem o mecanismo do gozo, a vida se torna insuportável. (...) Tais situações podem durar anos, talvez a vida toda.

É claro que a mulher que não goza, exactamente pelo fato de não gozar, não consegue perceber uma série de situações na vida que advém do prazer, de uma experiência de desligamento proporcionada pelo gozo, que é fundamental para o cérebro, para alma e, mesmo, para a capacidade intelectual de interpretação. Uma mulher que não goza não pode responder a uma série de indagações do quotidiano, do trabalho e da escola. Ela não é o homem diante do passarinho que, sabendo voar, pergunta ao homem o que ele acha de voar. Ela é o passarinho que tendo asas, pergunta ao outro passarinho que também tem asas, mas não voa de modo algum, o que é a experiência de voar. É duro dizer isso, e uma mulher que não goza, lendo isso, talvez fique com raiva de mim. Mas é verdade.

Não há razão de desprezo da mulher que não goza para com ela mesma, mas ela sente algo que é, sim, uma terrível vontade de sumir do mundo. Ela não é accionada, noturnamente, naquele que é o chamado “ponto G” (de forma alguma um mito), e que é como que um interruptor, que põe fim ao dia trazendo a “ida às nuvens”, o “encontro com Deus e o Diabo” e, enfim, o sono pesado que vai alimentar uma manhã azul. Sem isso, há de se recorrer à remédios. E se não há remédios, a mulher pode sucumbir – mental e fisicamente.

Mas voltemos à mulher que goza. Ela tem que aproveitar isso. Tem que entender que todas as outras suas capacidades dependem desta uma. A mulher que goza não deve nunca acreditar na conversa daquelas e daqueles que dizem “sexo é secundário”. Não é. Sem ele, a mulher que goza não pensa, não raciocina, não vence (o homem que não goza ou goza precocemente, também passa a mesma coisa, embora, neste caso, a cultura o faça, ainda assim, produzir – o que é um pouco diferente). Então, para potencializar toda a sua vida, deve achar o “homem certo”. Dentro de “o que as mulheres querem?”, cabe a pergunta “qual é o homem certo?”. - Paulo Ghiraldelli Jr

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