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25 maio 2007

Geometria do desejo masculino

No Japão, muitos empresários bem sucedidos resolvem a sua vida sexual com bonecas de silicone moldáveis, que imitam posições reais, como se possuíssem articulações, massa muscular, pele. Uma real doll custa bom dinheiro, é verdade, mas vale os seu peso em acções da Sony. Compram-nas via Internet, ou catálogo impresso, e quando a encomenda chega, montam-nas. Ou seja, encaixam-lhes as cabeças, que vêm embrulhadas separadamente, penteiam-nas, vestem-nas, calçam-nas; depois, e inversamente, despenteiam-nas, despem-nas, descalçam-nas, e montam-nas.

Os japoneses não pensam que ter uma boneca em lugar de uma mulher seja uma desvantagem, pelo contrário; são lindas, com mamas e rabos perfeitos, três orifícios sempre disponíveis, sem reclamações, dores de cabeça ou menstruais. Mantêm-se sempre de acordo, sorriem, não fazem barulho, e nem sequer gastam electricidade quando eles não estão em casa. Uma poupança, um sossego!

Creio que esta relação com bonecas é explícita a um ponto que nos permite compreender, finalmente, o mistério Que reside sob os alvores do desejo sexual masculino primário. Não há mistério algum. O desejo sexual masculino é despertado por um conjunto de volumes e formas, por uma relação de causa, consequência entre protuberância e concavidade. O desejo masculino reage a meros estímulos matemáticos, geométricos. E a matemática pode fazer-se no papel, com lápis e borracha, ou no computador, ou com pauzinhos, ou algarismos moldados em plástico e borracha. Não deixa de ser matemática por se mudar o suporte.


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