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25 maio 2007

Geometria do desejo masculino II


O que desperta o vulgar desejo sexual masculino não é a cor dos olhos nem do cabelo, nem o tamanho do pezinho, nem a roupa nem os brincos nem a maquilhagem. Tenho passado a vida inteira a comprovar que a beleza feminina é irrelevante para os homens. Não lhes interessa muito que sejam bonitas, ou tenham talentos, a não ser que estejam relacionados com o prazer sexual que podem proporcionar. Se as sobrancelhas são assim ou assado?! O que é que isso importa?!

O que os homens vêem, o que pode realmente comovê-los é tão só um bom par de mamas, grandes, não descaídas, como se tal fosse possível sem ajuda da medicina socorrida pelo estudo das leis da gravidade. A seguir, um rabo redondo e duro, no qual possam assentar as mãos e a pélvis. A seguir, boa coxa, grossa, no seguimento da anca. Depois, boca, de preferência carnuda, inchada como uma vulva, porque é uma vulva que vêem aí, e nenhuma outra coisa; se duvidam, e como exercício, façam passar pelos vossos cérebros algumas visualizações dos lábios de Angelina Jolie, da Scarlett Johansson.

Depois, claro, vagina e ânus, os quais constituem zona culminante do atrito, mas não a única, nem a mais erotizada. As áreas corporais que atrás mencionei proporcionam, igualmente, um certo grau de penetrabilidade; ou seja, as mamas, os glúteos, a boca também são fornicáveis.

O que desperta o desejo sexual masculino é, exactamente, o reconhecimento de protuberantes áreas fornicáveis que podem ser, simultaneamente, agarradas, apertadas, amassadas e, consequentemente, penetradas.
O cérebro dos machos reage a estímulos carnívoros muito primários, a uma impressão de abundância, ao impulso de mergulhar violentamente nesse cofre de fartura, logo, de alimento, de vida.
Não reage a um significado de mulher, mas ao seu significante.


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