
“Como toda a gente, disponho apenas de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de mim própria, que é o meio mais difícil e perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos outros, que conseguem quase sempre esconder-nos os seus segredos ou fazer-nos crer que os têm; e os livros, com os erros particulares de perspectiva que se escondem nas suas entrelinhas.” – Foi Marguerith Yourcenar quem deixou escrito algures.
Concordo que, cada um, enquanto objecto de conhecimento de si próprio, constitui uma amostra demasiado exígua para permitir grandes generalizações no que concerne o conhecimento do homem. E, nesse sentido, “cada caso é um caso”. Mas também não é menos verdade que, a menos que se trate de “avis rara”, existe um denominador comum de comportamentos que caracterizam e identificam a espécie.
Serve todo este latim para fundamentar duas teses:
A primeira é que, salvo os condicionamentos de carácter cultural, os comportamentos humanos – nomeadamente o comportamento sexual – obedecem, no que é essencial, a uma matriz comum. E as diferenciações estabelecem-se no que considero o plano do secundário. No que respeita o sexo existe quem goste mais desta ou daquela prática, em vez de outra, pela mesma ordem de razões que existe quem goste mais de laranja do que de banana. Porquê? – porque sim. Ou mesmo quem não goste da prática “X” ou da prática “Y” pela mesma razão de que não aprecia o vinagre ou a pimenta, como temperos. Porquê? – porque sim.
A segunda tese é que, parece-me ter-se criado uma retórica em torno da questão do sexo, extremamente semelhante ao que acontece na política: uma coisa são as declarações públicas, o discurso oficial e a teoria, outra coisa é a prática.
Por mim, sou dos que não gostam de tudo. – Quer em matéria de sexo quer em todos os outros aspectos da vida. Porque haveria de acontecer de modo diferente nuns e noutros casos? – E, por isso, sou dos que não fazem tudo.
Mário
Concordo que, cada um, enquanto objecto de conhecimento de si próprio, constitui uma amostra demasiado exígua para permitir grandes generalizações no que concerne o conhecimento do homem. E, nesse sentido, “cada caso é um caso”. Mas também não é menos verdade que, a menos que se trate de “avis rara”, existe um denominador comum de comportamentos que caracterizam e identificam a espécie.
Serve todo este latim para fundamentar duas teses:
A primeira é que, salvo os condicionamentos de carácter cultural, os comportamentos humanos – nomeadamente o comportamento sexual – obedecem, no que é essencial, a uma matriz comum. E as diferenciações estabelecem-se no que considero o plano do secundário. No que respeita o sexo existe quem goste mais desta ou daquela prática, em vez de outra, pela mesma ordem de razões que existe quem goste mais de laranja do que de banana. Porquê? – porque sim. Ou mesmo quem não goste da prática “X” ou da prática “Y” pela mesma razão de que não aprecia o vinagre ou a pimenta, como temperos. Porquê? – porque sim.
A segunda tese é que, parece-me ter-se criado uma retórica em torno da questão do sexo, extremamente semelhante ao que acontece na política: uma coisa são as declarações públicas, o discurso oficial e a teoria, outra coisa é a prática.
Por mim, sou dos que não gostam de tudo. – Quer em matéria de sexo quer em todos os outros aspectos da vida. Porque haveria de acontecer de modo diferente nuns e noutros casos? – E, por isso, sou dos que não fazem tudo.
Mário
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