17 novembro 2006

Conflito de Carácter


Sempre fui solteiro mesmo quando comprometido. Por dentro, comprometido. Por dentro, romântico e incurável. Por dentro, jurando viver toda uma vida com aquela mulher. Por dentro, sincero e pavorosamente simples. Já ouvi que sou ingênuo. Tentei ser teimoso, descrente e partidário. Não funcionou, porque não me interessa a realidade, interessa-me se é possível. Sendo possível, insisto.

Não sirvo para imitar. Não sirvo para emprestar, dou e não reclamo. Dou.

Sou dos homens o pior. O que não se vê sem uma mulher o ver. Valorizo o que sou quando recebo de volta. Eu me atravesso numa mulher. Nem saio se ela não estiver em mim.

Nenhuma dor me separou da ilusão de estar comprometido. Minha voz é comprometida, meus braços são comprometidos, minhas pernas são comprometida.

Sou tão comprometido que subestimo a separação. Separação não existe! O máximo que acontece é se afastar. Não há como apagar o que se avançou. Não há como riscar os beijos, as quecas, a intimidade vivida. Os beijos não deixam pegadas. Não há como eliminar o que já faz parte do seu movimento, do seu caráter, do seu modo de segurar as palavras. Afastar-se é observar de longe, não abandonar.

Quem não é comprometido por dentro nunca será comprometido por fora. É uma escolha, não um estado civil. Um homem comprometido não depende de uma aliança para mostrar compromisso. Ele é a aliança.

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