31 janeiro 2006

Um Indulto ao Mendigo Punheteiro

" Seu punheteiro filho da puta", bradava em coro a multidão de orelhas.
" É necessário começar pela verdade e terminar pela verdade", assim apregoava Samaritano de Bonsucesso.
" O amor requer vigília", reconhecia o mendigo que nada tinha.
" A paciência é a voz da sapiência e a insolência é a mão da insciência", orientava Samaritano seus filhos de bom grado.
" Amém", entoava mnemônicos refrões a multidão.
" Eu tenho um cancro que não cura. Sábia ferida que menospreza vossa medicina", contorcia-se em choro o mendigo de asas cortadas.
" Luz em excesso só faz cegar os olhos dos homens".
" Regozigemo-nos em sombras, sob velhas árvores sem frutos".
" Essa claridade é a minha doença, minha verdade, tão mais prudente que vossa vã filosofia".
" Seu punheteiro filho da puta"

E a poesia grita:

" A maior verdade está naquilo em que se sente. Não com os sentidos, mas com o espírito, que a razão não compreende".

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